Será que é errado um cristão ouvir músicas “seculares”? Essa é uma pergunta X que ronda o cotidiano de muitos cristãos. Comecei perguntando sobre música, mas essa pergunta se estende aos outros campos de expressão artística e cultural.
Definimos cultura como uma identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período. Mias precisamente, Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um conceito desenvolvido inicialmente pelo antropólogo Edward Burnett Tylor para designar o todo complexo metabiológico criado pelo homem. São práticas e ações sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Refere-se a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade.
O que vemos hoje nas igrejas é uma briga contra a maioria das práticas, ditas como, seculares. A música, como mencionei, é a mais atacada entre as expressões culturais. Vemos alguns gêneros musicais que se munem de palavrões e carga obscena muito elevada. Nesse caso basta apenas um pouco de bom-senso, esse tipo de expressão artística esta claramente fora dos eixos de pudor, não só cristão mas social também. O que quero polemizar aqui, é a musica secular que remete a assuntos do cotidiano, aos sentimentos, ou até mesmo a música instrumental.
Frequentemente uma desculpa para artistas inferiores conseguir vencer numa sub cultura cristã que imita o brilho e glamour do entretenimento secular, inclusive suas próprias cerimônias de premiação e seu ambiente de super estrelato. Pode ser que essa não seja a intenção por parte de muitos artistas que querem contribuir ao cenário da música cristã contemporânea, mas a indústria acaba produzindo, na maioria, imitações nada criativas, repetitivas, superficiais da música popular. Produzir música em conformidade com os gostos anestesiados duma cultura consumista já é ruim; imitar a arte comercializada é desperdiçar os talentos, a não ser que se esteja escrevendo para o rádio e a televisão. Trivializa tanto a arte quanto a religião. Não quero com isso condenar todos os artistas cristãos, pois há muitos musical e liricamente sofisticados o bastante que integram uma compreensão séria da mensagem bíblica com um estilo musical criativo. Também não quero que sejamos “esnobes” musicais que confundem seu gosto particular com a Palavra revelada de Deus. Afinal de contas, muitas vezes “a verdade está escrita nas paredes do metrô”, o equivalente arquitetônico da música popular. É esta uma das razões pelas quais eu aprecio a música popular de vez em quando, em parte porque é agradável e traz lembranças de tempos passados. Mas é uma forma inferior, dirigida comercialmente (noutras palavras, financeiramente) que se rebela contra os padrões mais altos da expressão artística.
Estendendo para as artes, literatura, dramaturgia etc.. São obras feitas por pessoas que não são cristãos, às vezes seguem outras religiões, ou às vezes são até ateus, como no caso do Grande escritor português José Saramago.
A pressão de justificar a arte, ciência e a diversão em termos do seu valor espiritual ou sua utilidade evangelística acabam prejudicando tanto o dom da criação quanto o dom do Evangelho, desvalorizando o primeiro e distorcendo, no processo, o segundo.
Baseado em minha leitura da obra “O Cristão e a Cultura” de Michael Horton, publicado pela Cultura Cristã.






